Okupa Kalissa + ESP(A)ÇO + Okupação Prosfygika
Dia 9 de Maio, abertura às 16h30. Início da atividade às 17h, no Esp(a)ço – Rua Barros Cassal, 316 – Porto Alegre
Contra o desalojo da maior e mais antiga okupação da Europa
O Estado grego está travando uma guerra contra os espaços auto-organizados. Há anos, vem reprimindo as comunidades de ocupantes e anarquistas em Exarchia. Agora, querem desocupar o maior prédio ocupado da Europa, o Oi Prosfygika, ou “O Prédio dos Refugiados”.
O Prosfygika não é apenas um prédio, mas uma alternativa viva ao Estado, ao mercado e ao isolamento social. Sua história começa na década de 1930, quando oito blocos de apartamentos na Avenida Alexandras foram construídos para abrigar refugiadys de territórios ocupados pela atual Turquia. Durante a Segunda Guerra Mundial, Prosfygika foi um centro de resistência. A guerrilha lutou ali contra a burguesia grega e o imperialismo britânico. A história dessas batalhas pode ser lida nos buracos de bala e nas marcas de granadas marcadas nas fachadas dos prédios.
No final da década de 1990, havia planos para demolir os prédios e substituí-los por um shopping center. Moradores foram pressionadys com desapropriações, e muitas pessoas perderam suas casas por nada de dinheiro. Algumas pessoas se recusaram a sair e, em vez disso, tornaram-se ocupantes em seus próprios apartamentos.
A atual comunidade de ocupantes tomou forma em 2010, em meio à crise financeira grega. Nascida de assembleias públicas, Prosfygika tornou-se um espaço social, político e cultural, onde a vida cotidiana era administrada, não por autoridades ou proprietários, mas pela própria comunidade. Hoje, cerca de 400 pessoas vivem lá, em 228 apartamentos. Muitas moradoras são imigrantes. Algumas pessoas pagam aluguel, outras vivem como ocupantes individuais e cerca de 200 pertencem à ocupação organizada.
Prosfygika também abriga 22 iniciativas auto-organizadas, incluindo uma padaria, uma creche, um centro social e programas de saúde e nutrição. A comunidade oferece aulas de idiomas para adultos, acolhe coletivos culturais e artísticos, administra uma organização de mulheres e fornece alojamento para pacientes com câncer e seus familiares, em parceria com o Hospital vizinho, Agios Savvas.
Muitas das pessoas que moram em Prosfygika se inspiram no Confederalismo Democrático de Abdullah Öcalan, pela ideia de que a unidade pode ser alcançada sem sacrificar a diversidade.
Nesse modelo, diferentes identidades, grupos sociais e perspectivas políticas se expressam e tomam decisões por meio de conselhos, reuniões locais e assembleias. As comunidades se organizam por meio de unidades descentralizadas e autônomas, em vez de de estados-nação centralizados. Para Prosfygika, isso não é uma teoria abstrata, mas uma realidade vivida.
A mensagem é clara: não é o Estado que deve “salvar” Prosfygika, pois o próprio Estado é uma das forças que buscam destruí-la.
Por causa disso, o Estado grego lançou múltiplos ataques contra a comunidade — em 2016, 2019, 2022 e 2024.
A ameaça é particularmente grave desta vez, porque em junho de 2025 o Governo Regional da Ática aprovou um contrato para uma suposta “renovação”, que na prática equivale a um despejo.
Como era de se esperar, isso está sendo vendido como revitalização da comunidade. “Regeneração”, neste caso, não significa proteger o bairro, mas destruí-lo. O governo pretende que a comunidade desapareça, para que seus edifícios históricos e sua localização central possam ser explorados com fins lucrativos.
A campanha #SaveProsfygika foi lançada para defender a comunidade ocupada de Prosfygika e sua memória coletiva. A campanha tem como objetivo ampliar o alcance social do projeto e estabelecer conexões mais amplas, tanto nacionais quanto internacionais. A comunidade não permitirá que sua história e sua função social sejam saqueadas sob o pretexto da gentrificação.
No dia 9 de maio vamos estar com es companheires da Okupa Prosfygika, pra nos situarmos da situação e buscar formas de visibilizar e apoiar esse movimento.
Vídeos históricos da Okupação serão passados, e debateremos o contexto atual, que em várias partes do mundo se dá de forma muito similar, a gentrificação, o capitalismo, o suposto desenvolvimento vem para desalojar espaços libertários e propostas alternativas ao Estado, querendo nos vender um sistema que na verdade sempre esteve em colapso e depende do colapso.
A solidariedade é nossa maior arma, e é necessário construir estratégias para lidar com o que está posto e o que está por vir.
NOSSA LINGUAGEM EM COMUM É A RESISTÊNCIA.
SOLIDARIEDADE É AÇÃO!
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